sábado, 8 de março de 2014

Dia internacional da vergonha nacional


No dia 25 de fevereiro de 2014, lendo o jornal diário Estado de Minas, deparo com uma matéria com o título “Poliglota, ex-faxineira do Mercado Central ganha vida em fábrica de tijolos”. A curiosidade me levou a ler a matéria e por isso a indignação aumentou. A reportagem retrata uma mulher, lésbica, que morou fora do Brasil com sua companheira. Adquiriu cultura, conhecimento e aprendeu diversas línguas. O retorno ao Brasil não foi fácil, ela teve dificuldade de conseguir emprego. Iniciou como faxineira no Mercado Central, quando descobriram que ela sabia vários idiomas e a colocaram na recepção, mas a demitiram alegando não poder pagar um salário conforme sua competência. Como ela já havia sido matéria do mesmo jornal Estado de Minas em 17 de maio de 2013, possui curso superior, tem mais de 40 e fala diversas línguas, não conseguiu uma recolocação no mercado de trabalho, nem como recepcionista. Sempre há justificativas! Hoje, ela trabalha em uma fábrica de tijolos (trabalho honesto, mas não o que ela desejava com sua qualificação).

Pensei, repensei, refleti e uma pergunta ficou na minha cabeça: que mercado de trabalho é esse que em uma sociedade que apregoa direitos humanos a todos, discrimina e impede a inserção em uma ocupação? Lembrei que também brigo por uma recolocação, mas diferente, sou mais nova que ela, sou gorda, e, como ela sou lésbica assumida e possuo curso superior. Outra pergunta rondou meus pensamentos: a discriminação só pode ser pela orientação sexual, porque é uma característica que possuímos em comum, ou será que ter curso superior tornou-se fonte de discriminação?

Em ano eleitoral, é necessário pensar no que está em nosso redor: o desemprego e a discriminação no mercado de trabalho. Pessoas gordas, negras, baixas, cabelos enrolados, homossexuais, com mais de 40 anos, são discriminadas nas entrevistas de emprego. O curso superior (graduação), pós-graduação, mestrado, ajudam ainda mais na discriminação, pois julgam que você pode receber mais do que oferecem e não dão chance para aquisição de experiência. Quantas pessoas já não omitiram sua escolaridade para conseguirem uma nova ocupação?


Eis então a palavra chave, experiência. Mas fiquei confusa, se ter mais de 40 pode ser ter mais experiência, então porque a idade interfere quando se busca emprego? Sem respostas, cada dia que passa o incômodo é maior. O mercado de trabalho não cria regras porque é um ser inanimado, quem estabelece regras são os HUMANOS que o comanda. Cada dia que passa vejo que as pessoas que criam suas regras pertencem a um país que valoriza aparência, mas não preza competência. Esse país? O que abrigará uma Copa e possui preconceitos velados por uma ideia de igualdade, vendida pelo marketing de que somos iguais.