No dia 25 de fevereiro de 2014, lendo o jornal diário Estado
de Minas, deparo com uma matéria com o título “Poliglota, ex-faxineira do
Mercado Central ganha vida em fábrica de tijolos”. A curiosidade me levou a ler
a matéria e por isso a indignação aumentou. A reportagem retrata uma mulher,
lésbica, que morou fora do Brasil com sua companheira. Adquiriu cultura,
conhecimento e aprendeu diversas línguas. O retorno ao Brasil não foi fácil,
ela teve dificuldade de conseguir emprego. Iniciou como faxineira no Mercado
Central, quando descobriram que ela sabia vários idiomas e a colocaram na
recepção, mas a demitiram alegando não poder pagar um salário conforme sua
competência. Como ela já havia sido matéria do mesmo jornal Estado de Minas em
17 de maio de 2013, possui curso superior, tem mais de 40 e fala diversas
línguas, não conseguiu uma recolocação no mercado de trabalho, nem como
recepcionista. Sempre há justificativas! Hoje, ela trabalha em uma fábrica de
tijolos (trabalho honesto, mas não o que ela desejava com sua qualificação).
Pensei, repensei, refleti e uma pergunta ficou na minha
cabeça: que mercado de trabalho é esse que em uma sociedade que apregoa
direitos humanos a todos, discrimina e impede a inserção em uma ocupação?
Lembrei que também brigo por uma recolocação, mas diferente, sou mais nova que
ela, sou gorda, e, como ela sou lésbica assumida e possuo curso superior. Outra
pergunta rondou meus pensamentos: a discriminação só pode ser pela orientação
sexual, porque é uma característica que possuímos em comum, ou será que ter
curso superior tornou-se fonte de discriminação?
Em ano eleitoral, é necessário pensar no que está em nosso
redor: o desemprego e a discriminação no mercado de trabalho. Pessoas gordas,
negras, baixas, cabelos enrolados, homossexuais, com mais de 40 anos, são
discriminadas nas entrevistas de emprego. O curso superior (graduação), pós-graduação,
mestrado, ajudam ainda mais na discriminação, pois julgam que você pode receber
mais do que oferecem e não dão chance para aquisição de experiência. Quantas
pessoas já não omitiram sua escolaridade para conseguirem uma nova ocupação?
Eis então a palavra chave, experiência. Mas fiquei confusa, se
ter mais de 40 pode ser ter mais experiência, então porque a idade interfere
quando se busca emprego? Sem respostas, cada dia que passa o incômodo é maior.
O mercado de trabalho não cria regras porque é um ser inanimado, quem
estabelece regras são os HUMANOS que o comanda. Cada dia que passa vejo que as
pessoas que criam suas regras pertencem a um país que valoriza aparência, mas
não preza competência. Esse país? O que abrigará uma Copa e possui preconceitos
velados por uma ideia de igualdade, vendida pelo marketing de que somos iguais.